terça-feira, 13 de maio de 2014

Fazer Supermercado é um evento


Fazer supermercado é sempre um evento. Há quem se sinta pleno em gastar seu dinheiro comprando o que lhe dá prazer. Há os que tornam um "passeio em família". Há ainda os que vão apenas por necessidade e nada de prazer.

Gosto de observar as pessoas no supermercado. Seus olhares, muitas vezes ansiosos, sedentos, orgasmáticos. Gosto de observar as pessoas e sua maneira de interagir com os itens da lista que escolhem para colocar no carrinho. E vez ou outra, como interagem entre si. Das senhoras que compartilham receitas aos jovens em "clima de azaração" neste último aspecto algo me chamou a atenção hoje.

Ao andar em uma das sessões do supermercado olhei pro lado e vi uma moça e seu carrinho de compras, olhei pro outro e vi um rapaz com seu carrinho também, mas com fones de ouvido e desatento. Ele, como era de se esperar, esbarrou nela, que retrucou.
Ela: - Você acha que supermercado é pista de boate pra sair esbarrando nas pessoas?
Ele (com sorriso envergonhado): - Desculpa! Não foi por mal.
Ele continuou seu caminho, ela exclamou: - Surfistinha idiota!

Eu, observando e disfarçando. Percebi o quanto o supermercado era grande e pensei na probabilidade de conhecer alguém que estivesse ali, logo me desliguei desse pensamento porque lembrei que deveria comprar bacon, amo bacon!

Compras feitas, fui ao caixa, na fila o tal "surfistinha idiota" a olhar para o lado incessantemente. Olhei também, sou curioso, todos somos. Vi o motivo dos olhares dele, era ela. Senti que não custava incentivar.
Eu: - Oi. Vai lá, pede desculpas direito. Ah! e peça o telefone, o resto é por conta de vocês.
Ele riu e balançou a cabeça como se dissesse: "Seu maluco." Fiz cara de paisagem para que ele não se sentisse pressionado. Cerca 30 segundos depois: Ele: - Você olha minhas compras? Esqueci um produto.
Eu: - Claro!

Lá foi ele. Chegou na frente dela. Percebi o sorriso tímido dela, provavelmente depois do pedido de desculpas e de alguma cantada barata. Sim! Os homens tem muito mais chances de se aproximarem usando uma cantada barata. Ele com celular na mão, faz  gestos sutis. Ela, sorri, fita-o com olhar e tempo depois pega o celular. Ambos digitam. Ambos sorriem. Dão um beijo no rosto e despedem-se.

Ele volta pra fila onde estava na minha frente e eu, como se nada tivesse visto, fico quieto. Ao chegar na hora de passar as compras ele diz:
- Pode passar na minha frente.
Foi gentil, eu só tinha uns 10 itens enquanto ele tinha um carro cheio de compras. Passei as compras e ele diz:
- Obrigado.
Eu: - Por que?
Ele: - Por me mostrar que as vezes a gente perde as chances porque não vê o que está na nossa frente.

A moça do caixa olhou com um ar de pensamento duvidoso.
Respondi: - Já tá na sua. O sorriso que ela deu diz tudo.
Meu dia de cupido.

(Anderson Kiroviski Vianna)

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