domingo, 2 de fevereiro de 2014

Rubem Alves, Renato Russo... e eu aqui me achando velha.

Eu com 80 anos...

E aos vinte e nove com o retorno de saturno
Decidi começar a viver

Tenho 29, 29 anos. Ainda dá pra falar a idade (risos decadentes).

Quando a gente chega em uma certa idade, após os 20, fica pensando em o que fez, o que queria ter feito e o que ainda dá para fazer com o "resto da vida". Caramba! Resto da vida! Tudo bem, eu posso morrer a qualquer instante, posso morrer enquanto escrevo esse texto (batendo na madeira 3 vezes como manda a superstição!), mas se meus desejos forem atendidos, ainda terei alguns anos para - quem sabe - ser chamada de "vovó" (com direito a ponto cruz, porque tricô eu nunca liguei de aprender).

Na minha idade, você - provavelmente - já passou pela escola, já fez faculdade, já está trabalhando (exceto se você for um afortunado ou "filhinho de papai", se tiver aproveitando esse tempo pra estudar, beleza. Agora ficar o dia inteiro de bobeira é sacanagem com seus pais que - acredite - não são eternos! Um dia essa mordomia vai acabar. Bom, mas chega de falar nisso, pois o assunto é outro.), já conheceu alguém que você ama a ponto de construir uma família (bom eu já. Força na peruca você vai conseguir!), mas sempre fica aquela sensação de "o que eu tô fazendo com a minha vida?" "será que vai dar tempo de realizar tudo que eu planejei?". 

É tanto trabalho, tanta, tanta, tanta conta (Brasil!), tantas obrigações: casa, cuidar da saúde/corpo, estudar, estudar mais, viajar, saber, comprar, conhecer, trabalhar, trabalhar, trabalhar...  que dá aquela sensação de: "nessa vida não vai dar pra fazer tudo que eu queria". Você fica triste, de saco cheio no alto dos seus 29 anos!

Que bom que as Redes Sociais também compartilham coisas inteligentes e leves!  Fez bem pra mim, acredito que vai fazer você repensar sobre sua vida de "ancião"/"anciã". Assista a entrevista com o querido escritor Rubem Alves. Se quiser, pode copiar algum trecho que gostou mais, resolvi transcrever abaixo. A parte que eu mais gosto é o final. É lindo! Assista a entrevista toda, vale a pena. ;)



Como você se descobriu escritor?

Não sei como as pessoas me perguntam “Como você se descobriu escritor?”. Eu me lembro de uma vez, quantos anos atrás, era professor da UNICAMP, um aluno procurou para fazer uma entrevista, e a primeira pergunta a que ele me fez foi:  “Como é que eu preparei, como é que eu planejei a minha vida pra ser o que ela foi?”. Aí eu percebi que ele me admirava e queria que eu desse pra ele o “mapa da mina”. Eu disse pra ele “eu cheguei aonde eu estou, porque tudo que eu planejei fracassou”. A vida, a vida não... a vida... só eu casos raros a pessoa que já nasce com aquela coisa definida, mas nem sempre.. é tão raro. É o desenrolar da vida.


E o primeiro livro, como surgiu?

O primeiro livro que eu escrevi, um livro chato. Foi uma tese de doutoramento. Peça de doutoramento exige um estilo especial, estilo acadêmico, e quando esse livro foi traduzido para o português, eu escrevi um prefácio, uma coisa assim que começava assim “Peço perdão a vocês por ter escrito um livro tão chato”. É a primeira frase.

Na ficção qual foi o primeiro?

Foi uma história infantil. Que eu acho...

Pássaro encantado?

A menina e o pássaro encantado.

Você fez pra sua filha? Foi inspirado em uma situação com a sua filha?

Escrevi pra minha filha. Eu viaja muito e a minha filha era pequena. Tinha... estava com quatro anos de idade e ela chorava não queria que eu viajasse me veio a história. A história de um affair amoroso entre uma menina e um pássaro. O pássaro era encantado porque eu não vivia em gaiolas. Ele estava sempre livre, ele tinha que voar, tinha que voar... ele quando ele vinha as viagens ele contava histórias para a menina. Aí a menina chorava e dizia: “Não vá! Nós nos amamos tanto! Eu fico com tanta saudade”. Aí o pássaro dizia pra ela: “Você não percebe que é só porque eu tenho saudades que eu sou encantado? A saudade é o... a alma... a saudade é a alma do encantamento.”  


Você está escrevendo sobre suas memórias agora?

Memórias e coisas mais que aparecem. A gente não fica em um caminho. Eu estou terminando este livro de memórias agora.

Qual livro que você escreve que mais gosta?

Depende. Porque num certo momento você gosta é desse livro. Num outro momento você gosta do outro livro. Então, não existe uma ordem: “esse, esse, esse, esse”. Pelo menos, comigo.

Como você encara a atual fase da sua vida?

A idade traz velhice. Tristeza. A vida é tão boa! Queria viver muito, queria amar muito, mas eu estou velho. Tô com oitenta anos! As pessoas às vezes me perguntam - perguntavam porque agora elas já sabem qual vai ser a resposta: “Quantos anos você tem?”. Não sei. “Como você não sabe?” Se você me perguntar quantos anos eu não tenho, eu sei dizer: eu não tenho 80 anos. Esses oitenta, que as pessoas dizem que são os anos que eu tenho, são precisamente os anos que eu não tenho porque eu já vivi. Esses anos já vivi. Isso tudo que tá aqui passou. Passou. O quê que eu tenho? Não tenho a menor ideia do que é que eu tenho.”


Reportagem: Delma Medeiros 

Leia mais AQUI: Correio RAC 


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