terça-feira, 14 de janeiro de 2014

TV: BBB e Facebook: a hipocrisia em criticar algo que também fazemos



Hoje, estreia o Big Brother Brasil. Mas basta a aproximação do programa para muita gente vir com discurso no Facebook "Eu odeio BBB""Quem assisite BBB" é burro e comentários do tipo. Ou ameaças de exclusão caso um de seus amigos poste algo relacionado ao reality show. O que poucos param para raciocionar, é que muitos criticam o programa mas fazem exatamente a mesma coisa que ele: se expor para desconhecidos, só com sem produção, edição e o glamour da TV.


Minha intenção aqui não é defender o programa ou que assiste, mas promover uma discussão saudável e uma reflexão sobre a liberdade de expressão na internet. Afinal, quem somos nós usuários do Facebook para falar mal da exposição do BBB (se você não tem Facebook não precisa continuar lendo... brincadeira! Pode sim!), se ao gostar de uma comida postamos uma foto, ao brigarmos com alguém postamos indiretas e ao chegar em um lugar fazemos check-in (por mais idiota que seja: supermercado por exemplo). Ou seja, expomos nossa intimidade 24 horas. Tudo bem, que não temos a audiência do plim plim, mas - mesmo assim - várias pessoas (que não fazem parte da nossa família e não são nossos amigos) tomam conhecimento de nossa vida pessoal.




O que nos separa dos participantes do BBB, e dos outros programas do gênero, é que ninguém vai ser chamado de "herói" pelo Pedro Bial (porque está enclausurado em uma casa, tomando banho de piscina, participando de intrigas e mostrando o bumbum para as câmeras) ou vai ganhar 1 milhão e meio por postar foto nu na timeline (no máximo elogios - por vezes falsos - e tarados compartilhando sua intimidade). O objetivo é a exposição em busca de "amigos" (sim, entre aspas, pois amizade verdadeira no mundo virtual é raro!), seguidores (ah, os seguidores!) para adular nossos egos e alimentar nossos "monstrinhos da vaidade" (como já disse Felipe Neto no Livro Não Faz Sentido) que pedem todos os dias: "curtam, compartilhem", ou seja, "me aprove, me aceite, me AME!". Afinal, quem não quer se sentir amado? Essas questões são complicadas...




Realmente o nível dos participantes é baixíssimo e isso me desencorajou há muito tempo de assistir ao BBB. Na maioria das vezes, são pessoas que NADA tem a contribuir. Se tivéssemos mais pessoas como o Jean Wyllys, por exemplo (inteligente, crítico e com algo importante a acrescentar) lá dentro seria ótimo assistir.


E por falar em baixo nível, quem não riu com o vídeo de inscrição da personagem Valdirene da novela Amor a Vida? Se você ainda não viu, vale a pena, pois o autor faz uma super crítica (apesar de - infelizmente - a maioria das pessoas não entenderem isso como crítica).




Mas, não podemos esquecer, que podemos ser vários, eu por exemplo - assim como tantos outros - amo ler, escrever, ir ao teatro, ao cinema etc, mas também rio com bobeira e assisto a programas que alguns diriam "como vc consegue assistir isso?". Todo mundo tem o momento "vergonha alheia".

Como disse Jean Wyllys: "A questão é simples: as pessoas têm o direito de fazerem suas escolhas de entretenimento sem serem patrulhadas por hipócritas que se comportam de modo igual a quem criticam (só quem sem tanta visibilidade, glamour e chance de grana - o que desperta a inveja); e quem não gostado entretenimento alheio que opte por outro".


O problema não é assistir ao BBB, o problema é SÓ assistir TV de um modo geral. Precisamos aumentar o repertório para conversar sobre outras coisas e criticar (com fundamento e sem pré-conceito) aquilo que não gostamos, sem ficar falando mal de quem comenta positivamente sobre o programa "A" ou "B". Não gosta? Simples: muda de canal, ou melhor, vá ler. 








Veja o texto que me inspirou abaixo:


Basta que se iniciem as chamadas do BBB para que o Facebook seja invadido por postagens criticando/atacando o programa, anunciando que não se assistirá ao reality show e/ou ameaçando de exclusão os "amigos" que venham a comentá-lo... 

Nada mais contraditório! Essas pessoas passam o ano inteiro expondo suas entranhas no Facebook (da foto no espelho da academia às férias em família, passando pelo prato que comem todo dia e seus conflitos pessoais); dando detalhes minuto a minuto de suas ações e se envolvendo em bate-bocas com os "amigos" virtuais pelos motivos mais banais, mas, quando chega janeiro, arvoram-se a detonar o BBB pelo "excesso de intimidade que aquelas pessoas expõem". 


Ora, excesso de intimidade exposta acontece mesmo é no Facebook, meus caros! O Facebook é que é o verdadeiro Big Brother no sentido pensado por Orwell em "1984": confissão/exposição da intimidade mais úmida para fins de controle social! 


E não adianta essas pessoas virem com o "argumento" de que "aqueles participantes são estúpidos e não pensam", porque o Facebook está cheio de estupidez e ausência de pensamento. Não adianta "argumentarem" que "aquelas pessoas não lêem um livro nem têm repertório cultural" porque, no Facebook, o assunto que predomina é mesmo o conteúdo da tevê aberta (incluindo os campeonatos de futebol, essa coisa tão edificante!); e quem se ocupa de ficar no Facebook 24 horas não tem tempo de ler livro nem ir ao teatro (se vai, esquece-se de comentar com o mesmo empenho com que fala de si mesmo). 


Então, pessoas em questão, parem para pensar só um pouquinho: é contraditório para não dizer hipócrita essa patrulha contra o BBB! Quem não curte não comenta e ponto (e respeita quem curte, afinal, BBB é tão entretenimento quanto série americana e campeonato de futebol)! Quando se anuncia muito o desprezo por algo, na verdade, o suposto desprezo mascara o valor que se dá esse algo! 


É preciso se questionar se o ódio ao BBB não esconde, na verdade, uma inveja das pessoas que tiveram a coragem de se lançar numa experiência que dramatiza a exposição da intimidade diária do Facebook. Fica a dica!  Eu leio muito (livros), frequento teatro, cinema e show regularmente; vou a exposições de artes plásticas; dou aulas e palestras; sou noveleiro confesso; gosto de reality show e não encho o saco de ninguém com patrulhas inúteis e hipócritas! É possível ser muitos e gostar de muitas coisas!



(Jean Wyllys)



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