quarta-feira, 1 de junho de 2011

4 horas por noite

O cansaço  é permanente
O corpo vaga inerte
cara de travesseiro
cotidiano de transporte coletivo
Sinto-me impotente.

Sigo com meu sorriso derrotado.
Dias, semanas, papo banal
Interesse pela vida alheia superficial
Os olhos fecham pesados.

Vontade de ir para casa
saborear as delícias da geladeira vazia,
o cesto de roupa cheio, o teto com rachadura
a goteira da pia, os móveis com pó
a TV vomitando besteira que eu, só,
vou engolindo e regogitando na intenet

E ao (finalmente) chegar em casa
Aliviada, acostumada
Há tanto (e) nada para se fazer
Que a procura é vã e barata
Tudo (que é meu tempo, meu ânimo, meu sono, meu hálito, minha alma) se perde e nada se acha

Nessas quatro horas que me restam
(menos do que aquelas que passo no ônibus e, bem menos das que passo no trabalho)
o que sobra é acostar o que sobrou de mim
e sonhar com um dia que poderei gozar o sono dos justos.

(Alexandra Periard)

Um comentário:

Raoni disse...

Muito boa, vomitou cansaço!