sexta-feira, 1 de abril de 2011

Uma pequena humanidade

Tive sempre desde criança, a necessidade de aumentar o mundo com personalidades fictícias, sonhos meus rigorosamente construídos, visionados com clareza fotográfica, compreendidos por dentro das suas almas [...]
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Esta tendência não passou com a infância, desenvolveu-se na adolescência, radicou-se com o crescimento dela, tornou-se finalmente a forma natual do meu espírito. Hoje já não tenho personalidade: quanto em mim haja de humano, eu o dividi entre os autores vários de cuja obra tenho sido o executor. Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha.

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Médium, assim de mim mesmo, todavia subsisto. Sou , porém, menos real que os outros, menos uno, menos pessoal eminentemente influenciável por eles todos.

(Fernando Pessoa).

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