domingo, 6 de fevereiro de 2011

A NÃO capacidade de ouvir

Pagamos para sermos ouvidos...

As pessoas não possuem a capacidade de ouvir, envolvidas por seus egos e mentes egoístas, apenas querem falar e ser ouvidas, porém jamais ouvir.

Nas redes sociais, todos "postam" imagens, textos e vídeos que contam suas vidas mesquinhas e sem graça (para que eu preciso saber que Fulano está bebendo Coca-Cola?), mas são incapazes de ler o que o outro postou ou, se quer, comentou. O importante é a imagem e o discurso solto aos quatro cantos da Web. À lá Facebook: vamos "Curtir"!

Quando abordamos um amigo - ou conhecido- e perguntamos se "está tudo bem" é apenas o exercício da convenção social, no fundo não estamos interessados no que o outro tem a falar, preferimos agir com a boa educação do "tudo bem" a falar o que realmente passa em nossas vidas. Ao ouvirmos alguém por poucos instantes, numa atitude ansiosa, tiramos as conclusões que queremos, as que achamos mais conveniente e menos "cansativo" tirar, numa incansável - como se diz na Linguística - "briga pelo turno".

Filhos não ouvem seus pais, amigos se afastam e regressam apenas para a "cerveja de cada fim de semana", casais vivem em apatia e não se entendem. Com os bolsos cheios de dinheiro, ou um plano de saúde, pagamos para sermos ouvidos em clínicas e/ou consultórios atualizados com a "necessidade do mercado" e saimos, por vezes, com pílulas que nos fazem aceitar a realidade como ela é: bem dopados. Mas como entender uns aos outros com os ouvidos fechados, ignorando suas histórias, pensamentos, ideologias, ânsias e sonhos?

No mundo contemporâneo das imagens, o ditado "Uma imagem vale mais que mil palavras", resumo bem nosso imediatismo capitalismo e desumano.


Alê Periard.

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