quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Domingo


Almoço na casa da sogra.
Os homens cochilam.
As mulheres lavam suas mágoas na louça da pia.
O futebol como música.
O baralho como esporte.
A solidão disfarçada na matinê do cineclube.
O sol na piscina colorindo mentes desbotadas.
Aparentemente felizes e saudáveis.
Mas tristes como a palavra não dita.
Vulcões de lavas adormecidas entre lençóis
imaculadamente brancos na vida comportada.
Tédio.
Os programas de TV pasteurizados.
As videocassetadas fingindo graça
na desgraça dos outros
como o grande prazer do dia.
Que nunca termina.
Tarde.A viagem adiada.
A mesmice. As desculpas.
Os congestionamentos na serra.
A distância, a gasolina, a falta de companhia.
Os projetos não resolvidos.
A vida fluindo sempre igual.
Domingo.
Tédio das tardes de domingo...


(Marilena Esberard de Lauro Montanari)

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