sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Do que rimos

"Como regra geral, rimos do que consideramos defeito, do que consideramos menor que nós. Às vezes, rimos de nós mesmos porque percebemos que somos menores do que imaginávamos.

É como se o ser humano devesse ter um padrão: jovem, forte, bonito, inteligente e potente. Tudo o que estiver abaixo desse padrão, fora dessa proporção, é objeto do riso humano: a impotência, a burrice, a feiúra, a fraqueza ou a covardia, a meninice ou a velhice. Mas só vamos rir se o defeito não tiver consequência dolorosa que possa nos emocionar: E mais vamos rir quanto mais exagerado for o defeito.

Rimos dos defeitos do caráter - covardia, avareza, falsidade e outros -, dos defeitos do pensamento - tolice, falha, ausência ou exagero da lógica -, dos defeitos físicos - mancos, tortos, pensos, impotentes -, dos defeitos de comportamento - caipiras, tímidos, doidos, gente que fala sozinha, pessoas que não sabem se portar, se vestir, etc. Rimos também daquilo que nos mete medo : rimos da morte, da autoridade, dos tiranos. É claro que rimos de forma que a autoridade não perceba nossas intenções, o que a transforma num tolo, ou quando estamos distantes para que o nosso riso não tenha consequências.

(Luis Alberto de Abreu)

Um comentário:

Wallace Santos disse...

Sem dúvidas uma temática notável, repleta de pontos que de fato tem muito haver com o traço do ser humano em rir de coisas que às vezes não são motivo de riso, mas sim de reflexão. O texto em si, define bem "do que rimo", sobretudo nos leva a pensar na consequência que este riso nos trará, sendo ela boa ou má. Com certeza trata-se de um pensamento bastante importante, que deve ser levado em consideração. Simplesmente perfeito.