quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Para fazer um poema dadaísta (não use jornal)

Apanhei o jornal

Apanhei a tesoura

Escolhi nesse jornal um artigo

Com a extensão que esperava

dar ao meu poema.

Recortei o artigo

recortei em seguida com cuidado cada uma

das palavras que compõe tal artigo e

coloquei-as numa bolsa.

Agitei lentamente

Retirei em seguida cada recorte um

após o outro

copiei conscientemente

na ordem em que eles saíram da bolsa,

o poema, segundo Tzara, deveria se parecer comigo

Mais eis que todas as palavras recortadas

do jornal são: violência sexo drogas fome miséria.

Revirei a bolsa, as palavras que retirei foram as mesmas...

E eis a sociedade infinitamente

Original de uma realidade destruidora

Ainda que não dadaísta e tão pouco

Compreendida pela gente vulgar.

(Rio de Janeiro, 09 de novembro de 2009. Alexandra Periard)


Quer ver a intertextualidade? Acesse: O Nome da Rosa

2 comentários:

ALEX disse...

Indiquei seus textos à minha professora de português. Vc ta cada vez mais lapidada. Ótimos textos. Parabéns!!!


Grande abço....E não suma!!!

Procura no google : Monica Imperio

é minha profa!

Liquificadorizando disse...

Alex

Obrigada pela indicação! E aí, o que a "Profa" falou?

rs

Procurei na internet, ela é fera!

Beijos e bom fds!