sábado, 29 de novembro de 2008

Favela. Eu sou daqui!


No Rio, existem aproximadamente 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) jovens. Mais de 300.000 (trezentos mil) moram em favelas e são discriminados por isso. A campanha Favela: eu sou daqui! foi elaborada com muita autonomia por jovens cariocas, com idades entre 17 e 22 anos, moradores das favelas da Maré, Rocinha, Vila Aliança, Santa Marta e do Complexo do Alemão, com o objetivo de transformar esta realidade.

Esta campanha é fruto de uma parceria entre Promundo e o CECIP – Centro de Criação de Imagem Popular. Idealizada por um grupo de jovens do Rio de Janeiro – provenientes das instituições Observatório de Favelas, Luta pela Paz, Adolescentro, CEDAPS e Promundo no contexto do Projeto JovEMovimento, desenvolvido no Rio pelo Promundo e em outras duas cidades brasileiras (Ceilândia/DF - Grupo Atitude e Recife/PE - Instituto Papai).
A campanha tem como objetivo "influenciar positivamente a visão preconceituosa que as classes média e alta têm sobre os jovens moradores de favelas", o que inclui todo o discurso de criminalização da pobreza, exclusão social e responsabilização desta população pelas violências e pela insegurança.

Os jovens componentes do grupo, discutiram por meses monitoramento de políticas públicas e, avaliando sobretudo as políticas de segurança, saúde e educação e as violações dos direitos humanos nas favelas, destacar
am que as diferentes esferas da gestão pública na realidade reproduzem um sentimento sobretudo das classes média e alta (não exclusivamente, é claro) que é de preconceito, excludente, marginalizante, incluindo a forma como a mídia trata a juventude moradora de favelas.

O enfoque da campanha está na leitura de que as políticas são diferentemente distribuídas pela cidade, não só espacial ou geograficamente, mas também quanto a qualidade e quanto a abordagem à
população, o maior exemplo disso é a polícia. Com um tom otimista, leve, positivo, a campanha pretende provocar uma reflexão sobre uma mesma cidade, um mesmo espaço urbano e propõe quebrar a idéia de "morro x asfalto", "favela x cidade", "favelado x sociedade", para o pensamento da inclusão e do pertencimento. Na primeira fase de construção da campanha, que aconteceu de janeiro a maio de 2008, os jovens participaram de uma capacitação em que criaram o conceito, os conteúdos e roteiros/lay-outs das peças da campanha, envolvendo no processo um grupo focal de estudantes e professores de duas escolas de classe média, localizadas na Zona Sul do Rio de Janeiro.


Na segunda etapa do projeto, profissionais das áreas do audiovisual, rádio e design gráfico colaboraram na produção das peças elaboradas pelos dos jovens. A campanha ganhará as ruas em novembro de 2008. Além de spots de TV e rádio e de peças gráficas como cartões postais “mica”, banners, cartazes e busdoors em ônibus que circulam pela zona sul, a campanha prevê eventos em escolas, praças e outros espaços públicos.


Clique para assistir o vídeo:








Jovens pelo fim do Preconceito!

Eles ainda são um grupo pequeno, apenas oito jovens em um universo de mais de 300 mil que vivem em favelas do Rio de Janeiro, mas com um objetivo: ajudar a diminuir o preconceito que jovens moradores de áreas de baixa renda sofrem. Com uma média de 20 anos, eles resolveram se juntar e lançar a campanha “Favela: eu sou daqui!”, que aborda o preconceito e a violência que muitos deles sofrem diariamente pelo simples fato de morarem em uma comunidade.

Segundo Verônica Moura, moradora do Santa Marta, uma das integrantes do grupo, a idéia é atingir pessoas que não têm contato direto com a realidade das favelas atraindo mais pessoas para a causa.

“Nosso objetivo é mostrar que a cidade do Rio é formada pela favela e pelo asfalto e queremos diminuir uma distância que possa existir entre essas áreas. Por isso, nosso público alvo são as classes média e alta para que possa ocorrer uma mudança na visão que eles têm sobre os jovens moradores das comunidades”.

A campanha, lançada no início do mês, já percorreu diversos bairros distribuindo o material produzido, como cartões postais, cartazes e conversando com as pessoas para explicar o objetivo da campanha. “Até agora, nós estamos sentindo uma certa dificuldade de abordar as pessoas nas ruas. Algumas nem prestam atenção, outras pensam que estamos vendendo alguma coisa e nem param para falar com a gente”, conta Verônica Moura de 24 anos.O projeto que recebe apoio de instituições como o Cedaps, Luta Pela Paz, Observatório de Favelas para capacitar os jovens e aprofundar o tema entre os jovens.

“Nós passamos por um período de capacitação para depois pensar e desenvolver a campanha. Talvez tenha sido o momento mais importante, porque começamos a perceber que também temos preconceitos”, explica o morador de Engenho da Rainha, Samuel Marques de 21 anos.

“Hoje eu sinto mais orgulho do lugar onde moro. Antes, não falava que vivia na Vila Aliança, dizia que a minha casa era em Bangu”, completa Bruno Bastos.

A relação dos jovens com o lugar onde moram foi um dos motivos que o levaram a pensar na campanha contra o preconceito. Eles já perderam as contas de quantas vezes sofreram alguma discriminação quando disseram que moravam em favela. “Nós ficamos sabendo de vários jovens que tentam estudar ou conseguir um emprego e são discriminados por causa do lugar onde vivem. Recentemente, eu sofri com isso. Quando a minha filha nasceu, a recepcionista da maternidade me olhou estranho quando disse que morava na Maré”, relembra Michele Aldeia.

Outro ponto destacado pelos jovens foi que durante esse período, eles aprenderam que também têm direitos. “Não podemos achar natural a forma como os policias atuam nas favelas. Eles sobem o morro e acham que todo mundo é bandido. Até a mesma forma de abordar é diferente fora da favela”, explica Verônica.

“Nós temos que mudar essa realidade, não podemos nos acostumar com isso. Há algum tempo eu estava na sala da minha casa, com meus dois irmãos menores e a polícia entrou na sala”, recorda Michele.


Rapazes são as principais vítimas do preconceito

Todos os jovens concordam que são os meninos que mais sofrem com o preconceito. “Eu já fui parado pela polícia, porque estava correndo. Eu tinha brigado com a minha namorada, ela saiu na minha frente e eu fui atrás. Já saíram do carro apontando a arma, nem me deram a oportunidade de falar nada. Fiquei sentado por meia hora e só fui liberado porque uma amiga minha me viu naquela situação e disse que eles só estavam fazendo aquilo porque eu era negro e morava na favela”, lembra Samuel.

Mas não é só de lamentos que vivem esses jovens. Desde o início da preparação da campanha, eles já tiveram êxitos. “Durante a capacitação, nós participamos de dois encontros com alunos de colégios particulares de Botafogo e Laranjeiras. Nenhum tinha contato com favela, mas um deles disse: ‘Eu tenho certeza que não é tudo aquilo que é mostrado na televisão. Parece que estamos no Iraque’. Isso já é um ganho, porque ajuda a rever e refletir sobre vários preconceitos que nós temos e não sabemos”, orgulha-se Priscila Santos, do Morro do Adeus.

Segundo Verônica, um dos alunos disse que a mãe pedia para ele descer no ponto de ônibus anterior ao morro Santa Marta.“A imagem que chega sempre é da violência. Quando contei que no Santa Marta tem até grupo de chorinho, eles nem acreditaram”, diz Verônica, que está grávida de sete meses e diz que resolveu participar da campanha pelo filho que vai nascer. “Eu não quero que alguém diga que meu filho vai ser mais um bandido”.

Para saber mais acesse: JovEMovimento Nacional

Outros sites bacanas:

Adolescento

Observatório da Favelas

Luta pela PAZ

4 comentários:

Welton ''Shiryu'' disse...

o que muitas pessoas não sabem é que a maioria dos moradores das favelas são trabalhadores e pessoas de bem.
elas são as maiores vítimas da criminalidade e da falta de atenção do governo.
bela iniciativa a desses jovens.

SURREAL MENTE disse...

ótima a abordagem racial!!!!!!!!!
ainda mais que sou filho de mãe negra!
bjussssssss

Pavón disse...

Excelente campanha!!! E parabens pela divulgação aqui... não sou do rio mas sei de como as cidades podem ser vistas com duas oticas, duas visoes e abordagens.... e precisamos começar mesmo a encarar que somos todos um só, indpeendente de onde viemos... integridade e respeito é o primeiro passo para o fim do preconceito.

Beijos

JovEMovimento disse...

Alexandra,


Muito obrigada por postar a campanha em seu blog! Gostamos muito da iniciativa, tão importante para a mobilização da nossa campanha. A conscientização individual dos cariocas vai ser muito mais eficiente com iniciativas como a sua!

Vamos linkar sua postagem no nosso blog, ok?

Obrigada novamente
Abs,

JovEMovimento