domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Esferogratizando"

Volto a escrever a letra sai com dificuldade (analogia a primeira série) tremida, tímida e inquieta. Parece pular do papel. Consequência de horas em frente ao computador, no "tec-tec" interminável no teclado rígido nos bate-papos, e-mails e orkuts. Novas escolhas preterindo a maciês do papel, as conversas nas pracinhas, as cartas escritas em papéis de carta (esses frutos de uma coleção de menina) e as turmas que saiam juntas para uma festa ou que jogavam vôlei na esquina.
A coluna dói um pouco, o corpo tenta endireitar-se (sem grande êxito) a luz do monitor ofusca o pensamento derramado pela tinta daquela caneta já esquecida dentro da gaveta. O braço dependurado não consegue se ajeitar. Mas não recrimino, pois é deveras incômodo escrever em uma mesa de computador. O nome já diz, a mesa é dele! Juro que compro uma mesa de escrever, só de escrever. Porque ler, eu gosto na cama. Mais conforto, porém nada sonífero. Pelo contrário, bem estimulante! Deve ser por isso que ando sonolenta.... Estou lendo pouco, não o tanto e principalmente o que eu gostaria. Mais uma peça que o mundo virtual me pregou: a futilidade "me add? te adoluuuu! bom fds!" substituindo os versos "Drummonianos" e a prosa ácida machadiana.
Mas o que eu iria escrever?...
... bem já nem me lembro mais.
O importante é que atrás dessa letra feia, há uma cabeça pensante e um coração que pula entorpecido pela cor e pelo cheiro de uma caneta esferográfica.

Um comentário:

eliane disse...

Oi. adorei.. beijos.... eliane