domingo, 24 de fevereiro de 2008

"Embriaguez poética"

Embriago-me com vinte poemas de amor
E soluço pelas calçadas rimas pobres de flor e dor
A boca mole solta palavras de dicionário
E todo o resto finge, ficando eu aqui otário

O coração deveras pisoteado
Os sapatos no chão lameado
A mão na face suada e fria
A caneta como punhal espia

Num balanço de pernas no ar
Direciono-me para rua sem saída
E na sarjeta de meu pensar
Rejeito os padrões e medidas

Na recusa do caos-da-sobriedade
Tomo em minhas mãos um conto
Sinto os pés erguerem-se da banalidade
E termino como vim: num ponto.

(Alexandra Periard)

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