quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

“Na arte sem você... não há nada” *

Olhos de pedra
arregalados, duros e secos
participam e observam o infinito
num rosto expressivo

Imóvel ali está um pião
na mão estendida de uma criança
relembrando a infância traz impressão
do “eu” e atribui deveras relevância


Esboçados sonhos com confusão
na nítida imaginação
Cavalos corajosos cavaleiros
e moinhos de vento traiçoeiros


A barca e sua inquieta tripulação
Percorrem o mar na busca do pescado
Lavadeiras feitas de névoa ali vão
Meninas brincam, o inconfidente é enforcado

Trabalhadores: força com cheiro de terra
Menino de engenho, de lápis, de cor
Ao primeiro verme roedor não se encerra
as memórias de Brás, Assis e torpor


Portinari na coleção, Castro Maya é emoção
Realidade interpretada com exatidão
Sinto-me feliz e paralisada
Na pintura sem ele não há nada!

(Alexandra Periard)


* Poesia derramada no papel após ver a exposição Portinari na coleção Castro Maya na Caixa Cultural. Emoção!

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