segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Mancomunada

Saudade enorme, incessante e imensa
O vento levanta a cortina e a página que inquiro
O livro caminha rápido e sorrateiro para o final
Os versos soltam-se pelo quarto e sinto sua presença
Não sei onde você está, procuro "tatuar no papiro"*
o imprescindível e talvez substancial

Se afagam, como se buscassem minhas mãos
dentro de si mesmas o vazio que nunca é preenchido
A casa me espreita inerte, muda e imune
ao silêncio que fabrico com meus pensamentos pagãos
E teu olhar que não revela nem oculta ao observar,
num sorriso de contemplação com o desejo mancomune

Mas não consigo encontrar caneta, lápis ou algo que escreva
Frustração com a inspiração que vem a fã
Talvez minha pobre rima em reaparecer não se atreva
Mas o sentimento é como estátua de Rodin**
serve apenas para ser apreciado e pelo poeta acalentado

(Alexandra Periard)



* Referência ao novo livro da poetisa Hélen Queiroz

** Referência a uma conversa com o amigo Reynaud Peron

2 comentários:

SURREAL MENTE disse...

frustração com inspiração...vc acertou na veia parabéns...bjussssssss

tferreira.jc disse...

"Um vazio que nunca é preenchido"
Pra mim, ser poeta é deixar-se ser lido e descobrir que ao ser lido compartilhou e não individualizou sentimentos!! As poesias mais belas para mim, não são aquelas de poetas renomados, mas aquelas q tem tuda a ver comigo, como essa!!!