sábado, 6 de outubro de 2007

Ficção poética

Rio de Janeiro, 05 de outubro de 2007

Carne da minha carne

O encontro com o inesperado pode ser assutador porém revelador...
Mais do que um rosto novo me defrontei com a mensagem subliminar do seu sorriso,
com a lágrima presa em seus olhos castanhos e grandes que também sorriam pra mim
ao me contar histórias, gostos, piadas e preferências.
Ao caminhar sentia a energia que emanava do seu corpo ao se deparar com obras de arte,
as poesias proferidas em voz adequada (sensual e delicada), fotos de pessoas aparentemente feias- segundo a mídia- mas que ficaram lindas com a iluminação e a sensibilidade de um bom fotógrafo e músicas antigas com mensagens contextuais. Tudo ficava grande no sentido da amplitude, porém tão pequeno que cabiam dentro dos meus olhos olhando teu perfil concentrado no horizonte. Palavras ditas mergulhavam na nossa tarde e faziam-se bonitas instigando o pensamento. Excitante é pensar e ser motivada intelectualmente por alguém. Um alguém que não se sabe de onde veio, apenas que veio e desestruturou, jogou por terra tudo que envolvia minha existência vazia. Horas passam e o interesse cresce, a vontade de explorar vorazmente (sem ferir) e guardar esse dia em um lugar inacessível, só meu. Motivada pela pequenez de ser humana e fazer tudo errado: pensar que poderia ser mais (durado mais) do que aproveitar e agradecer tudo que foi vivido.
Te ver me faz crescer, não querer parar, pensar em tanta coisa que nunca via a pensar...
É bom sentir-se assim: feliz e encantada por algo e/ ou alguém. Poderia ouvir sua voz por horas e horas... Escute: Já nos conhecíamos apenas faltava nos encontrar...

(Alexandra Periard)

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