domingo, 7 de fevereiro de 2010

Quando se adia um sonho no Harlem(2)

O que acontece quando se adia um sonho?

Será que ele seca
Como uva-passa?
Será que inflama como ferida -
E depois apodrece?
Será que fede como carniça?
Ou cristaliza -
Como a calda do doce?

Talvez só se acomode
Como carga pesada.

Ou será que explode?

(James Mercer Langston Hugles)
Poesia retirada da Revista Piauí nº39 ano 2009 pág.67

50º graus

O Rio de Janeiro é um quadrado quente. Corpos sedentos na calçada à procura de sombra e água fresca, encontram 50° graus de tédio.



domingo, 31 de janeiro de 2010

Colando adesivos - irônicos - pela cidade...




Programa Urbano

Domingo sem internet

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sou uma boa ovelha...

Sábio Conselho!


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Onde trabalham os escritores?

Uma das grandes curiosidades dos leitores é saber como é o local de trabalho daqueles que trabalham com a palavra.

Conheço pelo menos dois sites, um mais específico e outro mais de longo prazo e abrangente, que saciam essa curiosidade.

Um deles é o projeto Writer’s Room, do Guardian. Até o momento são 115 fotos que retratam escritórios de músicos, ilustradores e, principalmente, escritores desde outubro de 2007.

O Where I White, por sua vez, é mais pontual, trazendo imagens de escritores especializados no universo de fantasia e ficção científica.


Veja mais no site Where I White e na fonte Livros E Afins


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Kafka

Acaba de passar pela sala uma barata. O que dizer da dona desta casa? Onde seu capricho, seus panos e vassouras, esfregões e químicas, se ela permite uma barata a correr pela sala?

A visita descomposta logo parte, levando a público a imagem da barata em linha reta, íntima, rente ao tapete, correndo definidamente. Logo todos falarão da barata. E nem o consolo de ter sido uma barata alada ou uma kafkiana humabarata ou colorida ou lenta. A incomensurável humilhação da corrida da barata pela sala, na presença da visita, beirando o tapete português.

Saída a visita, ombros caídos, é deixar livros e papéis de lado e lembrar, como os sábios, da obrigação antes da devoção: vassouras duas, panos alguns, um espano, três produtos de limpeza de cheiro acre e efeito garantido contra visitas. Afastar móveis, desalojar teias de aranha, limpar altos e baixos, esfregando com força, socando almofadas com o ódio retido pela própria condição. Antes de poetar há que limpar e cozinhar. Porque há um homem lá fora, no mundo, a trabalhar arduamente para trazer para casa o pão suado - tão melhor seria uma pizza quentinha - e aqui dentro temos o ócio instalado.

Correr, bater com a vassoura na visita, espanar a visita para fora, limpar com panos e químicos os resíduos no chão. Esfregar a culpa pelo chão. Recolher tudo à vagina murcha e, escondido, voltar a escrever.


Publicado na versão em inglês pela Pyramid Press, Londres (1996) na Antologia "To Her Naked Eye", ed. Rachel Lever


Domingo


Almoço na casa da sogra.
Os homens cochilam.
As mulheres lavam suas mágoas na louça da pia.
O futebol como música.
O baralho como esporte.
A solidão disfarçada na matinê do cineclube.
O sol na piscina colorindo mentes desbotadas.
Aparentemente felizes e saudáveis.
Mas tristes como a palavra não dita.
Vulcões de lavas adormecidas entre lençóis
imaculadamente brancos na vida comportada.
Tédio.
Os programas de TV pasteurizados.
As videocassetadas fingindo graça
na desgraça dos outros
como o grande prazer do dia.
Que nunca termina.
Tarde.A viagem adiada.
A mesmice. As desculpas.
Os congestionamentos na serra.
A distância, a gasolina, a falta de companhia.
Os projetos não resolvidos.
A vida fluindo sempre igual.
Domingo.
Tédio das tardes de domingo...


(Marilena Esberard de Lauro Montanari)

Quadrinhos dos anos 10

Clique para maximizar as imagens. Para ver mais tirinhas como estas, visite o site dos Malvados!